sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

AFABILIDADE E A DOÇURA

ViaLactea: Jorge Cardenas






AFABILIDADE E A DOÇURA







A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor próximo, produz a afabilidade e a doçura que lhe são a manifestação. Entretanto, não é preciso fiar-se sempre nas aparências; a educação e o hábito do mundo podem dar verniz dessas qualidades. Quantos há cuja fingida bonomia não é senão máscaras para o exterior, uma roupagem cuja forma premeditada esconde as deformidades ocultas! O mundo está cheio dessas pessoas que têm o sorriso nos lábios e o veneno no coração; que são brandas contanto que nada as machuque, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua dourada , quando falam face a face, se transmuda em dardo envenenado quando estão por detrás.

A essa classe pertencem ainda esses homens benignos por fora e que, tiranos domésticos, fazem sofrer, sua família e seus subordinados, o peso do seu orgulho e de seu despotismo, como querendo-se compensar do constrangimento que impuseram alhures; não se atrevendo a usar de autoridade sobre estranhos que os recolocariam em seu lugar, eles querem ao menos ser temidos por aqueles que não podem resistir-lhes, sua vaidade alegra-se de poder dizer: “Aqui eu mando e sou obedecido”; sem pensar que poderiam acrescentar com mais razão: “E sou detestado”.

Não basta que dos lábios gotejem leite e mel, pois se o coração nada tem com isso, há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas, não se contradiz jamais; é o mesmo diante do mundo e na intimidade; ele sabe, aliás, que se pode enganar os homens, pelas aparências, não pode enganar a Deus.
Lazaro, Paris, 1861
O EVANGELHO SEGUNDO O ESPERITISMO
Paginas 126; 127

Nenhum comentário: