sábado, 7 de janeiro de 2012

O CENTENÁRIO DE JORGE AMADO

O centenário de Jorge Amado, o contador de histórias



Jorge Amado  - Fonte: Vermelho Portal
Houve um tempo em que os escritores brasileiros de ficção costumavam despertar paixão entre os leitores. Jorge Amado era um deles, possivelmente o que mais paixão provocava no grande público, num grupo que incluía Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Érico Veríssimo, entre outros. Esse tempo acabou. Hoje, a relação dos brasileiros com seus autores contemporâneos é de outra ordem.

"Assistimos a um momento em que não há mais a mesma paixão", reconhece o poeta Alberto da Costa e Silva, representante da Academia Brasileira de Letras (ABL) na comissão que organiza as atividades do centenário de Amado, que nasceu em 9 de agosto de 1912, em Ferradas, na região cacaueira do sul da Bahia.

Nessa comemoração, o Brasil vai reviver a antiga paixão por meio de uma série de atividades que lembrarão o escritor. A começar pelo Carnaval da Bahia e do Rio, nos quais personagens amadianos vão protagonizar eventos populares que trarão novamente à cena as tramas pitorescas que, quando lançadas, atraíam milhares de pessoas ávidas para lê-las.

A Rede Globo prepara a readaptação de "Gabriela, Cravo e Canela" e o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, vai inaugurar neste primeiro semestre uma grande exposição sobre o autor. De vários países, chegam à família Amado propostas de homenagens que se pretende prestar a ele.

Um escritor de ficção só atinge seu grande momento junto ao público quando cria grandes personagens, observa Costa e Silva: "Jorge Amado foi mestre nisso, com personagens inesquecíveis". E esta peculiaridade: além dos protagonistas, seus romances se apoiam "numa multidão de outros personagens, coadjuvantes do maior interesse".

A obra de Amado já foi traduzida para 48 idiomas, em 54 países, segundo dados da Fundação Casa de Jorge Amado. As reedições realizadas desde 2008 pela Companhia das Letras, que já publicou 37 títulos do autor, venderam 240 mil exemplares em livrarias, sem contar encomendas de governo.

Para saber o total vendido até hoje, a pesquisadora Ilana Goldstein, autora de "O Brasil Best Seller de Jorge Amado" (Senac), realizou um levantamento junto às editoras antigas do escritor e estima que o montante se encontre na casa dos 30 milhões. "É um autor extraordinariamente importante para nossa história. Iniciou muita gente na leitura e ajudou um país inteiro a aprender a ler. Foi o escritor brasileiro mais popular do século XX, e com qualidade literária", destaca João Ubaldo Ribeiro.

Mesmo com a popularidade e elogios como esses, não se deve esperar unanimidade nas discussões em torno de seu legado. Os livros de Amado sempre foram alvo de fortes ressalvas. A severidade no julgamento - seus personagens seriam rasos, estereotipados, o português descuidado, etc. - fez com que fosse menosprezado nas análises universitárias de letras, apesar de sempre apreciado por antropólogos e sociólogos.

A postura dos críticos literários contribuiu para um certo descrédito de sua obra e possivelmente para o afastamento dos leitores, sobretudo os mais jovens, algo que as reedições iniciadas em 2008 pela Companhia das Letras têm buscado reverter. O centenário será um momento-chave nessa reconquista, com debates, filmes, show, peças teatrais, livros, além da novela. Toda essa movimentação será uma oportunidade para que se renove também o debate sobre a nova relação da literatura e da crítica com os leitores.

A escritora Myriam Fraga, diretora-executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, com sede no Pelourinho, em Salvador, recorda-se do furor que o surgimento de "Gabriela, Cravo e Canela" provocou, em 1958: "Eu era adolescente quando o livro foi publicado e o lançamento levou horas, com filas e mais filas".

Myriam, no cargo desde quando a Fundação foi criada, há 25 anos, convivia quase diariamente com Amado, que morreu em 2001. O Partido Comunista do Brasil, do qual o escritor foi dirigente, ajudava na sua projeção, mas não explicava o arrebatamento. "Muitos autores comunistas não chegaram a lugar nenhum", constata Myriam. O mesmo tipo de fenômeno ocorria no exterior.

O húngaro Ferenc Pál, professor de literatura brasileira em Budapeste, reconhece que os livros de Amado circulavam nos países do Leste europeu em virtude da filiação política do autor, mas não por esse motivo as pessoas os liam. O baiano foi o escritor estrangeiro mais popular da Hungria em meados do século passado.

Nos países lusófonos, Amado era igualmente muito estimado. Quando a reedição de sua obra foi anunciada, há três anos, escritores portugueses e africanos (de língua portuguesa) demonstraram grande entusiasmo - ainda mais que os brasileiros, conta o editor da Companhia das Letras Thyago Nogueira. "Eu me surpreendi, e ainda hoje me surpreendo, ao constatar a penetração que Jorge Amado teve no mundo todo. Sua obra circulou num grau do qual eu acho difícil termos a exata dimensão."

Em sua opinião, o escritor combinava boa literatura com apelo popular. "Atualmente, existe um certo pudor em relação a isso, como se tudo que fosse popular fosse menor. Mas, para Jorge Amado, o povo era a matéria-prima. Ele tinha ouvido grande para o que acontecia nas ruas e fazia uma transposição interessante do ponto de vista literário. Sua escrita é oral, engraçada, irônica e incorpora uma série de registros. Para editar seus livros, precisei ir milhões de vezes ao dicionário. Muitas vezes, ele usava palavras que tinha ouvido apenas na rua", afirma Nogueira.

O mergulho no universo popular, como o do candomblé, foi motivo de crítica e preconceito, lembra Myriam. "Essa aproximação com a cultura afro-baiana, muito viva na Bahia, começou no romance "Jubiabá" [1935] e não foi bem aceita." Pois é justamente a maneira como Amado lida com esses temas um dos motivos da admiração do escritor Alberto Mussa, que, em sua obra, transita entre o erudito e o popular:

"Jorge Amado trata as pessoas do povo e do candomblé com respeito e consegue tirar desse ambiente uma matéria literária. Não se vê isso o tempo inteiro e é algo pouco valorizado. Ou existe um distanciamento ou uma representação muito estereotipada".

Temas populares teriam saído de moda. A média dos autores contemporâneos, segundo Mussa, prefere personagens urbanos, confinados a apartamentos, que sofrem com angústias psicológicas e exercem a mesma profissão que eles, como a de escritores ou professores. "Mas uma literatura em que o personagem é a cópia do autor resulta empobrecedora. Jorge Amado tem a vantagem de se lançar em outros mundos. É difícil retratar bem um marujo, nunca tendo sido um", elogia Mussa.

O romance "Terras do Sem-Fim" (1943), sobre a disputa de coronéis pelo cacau, é considerado pelo escritor um dos melhores da literatura brasileira no século XX. Outros títulos de Amado que destaca são "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1966) e "Os Velhos Marinheiros" (1961), composto da novela "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água" e do romance "O Capitão-de-Longo-Curso".

"Em termos de linguagem, prefiro algo mais trabalhado e clássico, mas suas histórias são muito boas. Retratam uma parte do Brasil pouco conhecida, como a região baiana do cacau, e trazem personagens exuberantes. Os livros são extremamente bem construídos em termos de fruição e prazer. Se sua valorização é sinal de que estamos recuperando a vontade narrativa, isto já será muito bom", diz Mussa.

Os escritores, hoje, não dão prioridade à opção de contar histórias, analisa Musa. "É como se fosse algo inferior, que relacionam talvez ao modelo narrativo do cinema. A literatura verdadeira estaria, então, em outro lugar."

Sem histórias interessantes, corre-se o risco de tornar os leitores arredios, comenta Costa e Silva. "Jorge Amado se propôs ser um contador de histórias, e logrou sua proposta. Ele escolheu por assunto a vida cotidiana, com seus dramas e alegrias, e não lida com grandes angústias."

Esse universo - aparentemente simples - dificultaria a tarefa dos críticos. "É mais fácil escrever teses sobre quem traz muita coisa nova na forma de escrever, como Rosa ou João Cabral de Melo Neto. Autores como Jorge Amado ou Manuel Bandeira são um bocado difíceis. Mas a crítica está mudando. Vamos assistir a um cansaço muito grande do formalismo pelo formalismo."

O centenário, na opinião de Costa e Silva, será uma ótima oportunidade para o reexame, sobretudo estético, da obra amadiana. "É necessário recolocar seus livros no lugar em que merecem estar."

Se suas frases soam descuidadas, trata-se de efeito proposital, analisa Costa e Silva: "Ele era cônscio de suas responsabilidades artísticas e escrevia querendo escrever de determinada maneira. O estudo do Jorge criador de linguagem e artista poderá abrir novos caminhos para o entendimento de sua obra. Ficou uma ideia de que ele era um improvisador, mas não há nada de frouxo nele". Seus personagens tampouco seriam rasos: "Não vejo nenhum deles que não seja repleto de contradições e de mudanças no desenrolar da história".

No entanto, quem defende o autor de "Mar Morto" sabe que a controvérsia pode não tardar. "Jorge Amado sempre foi polêmico", assinala Myriam. A crítica costuma se dividir entre os que o consideram um mestre do romance e os que o veem como um trivial contador de histórias, e ainda sobre outras questões, como o elogio que faz da mestiçagem.

"Sua obra encerra uma utopia. E ele sentia muito orgulho em ser reconhecido como contador de histórias. Jorge queria fazer uma obra acessível, acreditava que a literatura poderia ser um meio de libertação", diz Myriam.

Costa e Silva destaca outro aspecto positivo: "É algo curioso, uma de suas grandes qualidades, apreciada pelo leitor. Todo livro de Jorge Amado que se leia, seja 'Capitães da "Areia' [1937] ou 'Tocaia Grande' [1984], apesar da violência e das indignidades que apresentam, sempre nos deixa de cabeça alta. Ninguém sai acabrunhado de um livro de Jorge. É um autor que destila esperança".




quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

ESTÁS EM MIM

ESTÁS EM MIM
Aparecido Donizetti Hernandez
05/Janeiro/2012
00h40



Nasce um novo dia ainda com o céu estrelado,
a Estrela D’Alva nessas noites esta visível próximo a Lua,
o Sol ilumina outras partes da Terra, passa da Meia noite.
É um novo dia, o dia de vossa “Alma” encontrar-se com o criador.

Receberás novas missões, pois deixastes plantadas sementes
no solo fértil da Terra, no seio de vossa família.
Na tenra idade conduzistes-me a orientação para a caridade.
Vais desse corpo que me lembrarei,
sei que és o que és, por mim estarás sempre a zelar,
estava sendo meu chão agora és meu Céu!


Para a poetisa/Artista Plástica
Neusa Mendonça
Poetas Del Mundo Marília-SP


(Neusa Rocha Miguel de Mendonça), que nessa madrugada vê seu pai Genésio Saraiva Rocha,
partir para junto dos Anjos do Senhor.




terça-feira, 15 de novembro de 2011

POR DO SOL


POR DO SOL
JAS



Quando o por do sol se anuncia
Criando um escurinho
O mar possui a areia da praia
De uma só arremetida

Embora morrendo de inveja
Pois não pode possuir as nuvens também
O sol deita-se sobre elas em seu pensamento
Com um desejo ardente de penetrá-las

Mas a distância é muito grande
E o amor incontido esvai-se
Gerando um por do sol escuro

Basta o mar chegar junto no escurinho
A areia da praia se assanha
E começa a se contorcer
Sabendo que será possuída.

O sol coitado,torna-se um palhaço
contido pelas suas impossibilidades
E aí chora de inveja escurecendo o universo
E neste momento ele perde a cor
E o mundo fica nublado

Texto : JAS
 
 
---------- Forwarded message ----------

From: *¨¨BABI¨¨*
Date: 2011/11/11
Subject: {grupomahavidya} POR DO SOL
To: grupomahavidya@yahoogrupos.com.br

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A PAZ CONSTRUIDA DENTRO DE TI


A PAZ CONSTRUIDA DENTRO DE TI
Aparecido Donizetti Hernandez
02 de novembro de 2011


Que tenhas mais um ano pela sua frente realize os seus sonhos, preserve sempre o bem, a paz, a tolerância, a diversidade de opiniões, encontre a paz dentro de ti somente assim teremos no mundo a nossa vitória sobre os que pregam o mal mesmo usando de doces e afáveis palavras.
A vida começa todos os dias, quando acordamos vemos o Sol ou a Lua e quando em nossos sonhos visitamos o paraíso.


Tenhas Paz!

II ENCONTRO PAULISTA POETAS DEL MUNDO - Edificio Martinelli - Capital -SP (2010
Aparecido Donizetti Hernandez
Poetas del Mundo - Cônsul Itapevi - SP
Marcas Poéticas Instituto
Projeto Agenda Poética - Marcas Poeticas Instituto

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

SEM PRISÃO

Sem prisão
Ruthy Neves



 Eu amo a vida sempre apesar das desilusões.
Muito mais agora... que achei a chave...
para abrir as amarras que me prendiam...
nesta prisão de antigos sonhos e paixões.
Sonhos que já não existem mais.
Quero o sentir, de mãos reais...
o gosto do beijo,
quente e apaixonado..
que me eram tão habituais.
Quero sentir o arrepio que a boca
ávida e saliente provoca no meu corpo.
Não este frio e gelado...arrepio...
que recebo das lembranças...
que também já se perderam no tempo...
causando agora também tantas indiferenças.
Colocarei tudo para fora...
o fogo, o desejo, a paixão....
esta amarga solidão...
sofrida até então.
E este amor ou apenas paixão...
porém... sem forma de prisão...
viveremos sem demora...
descobrindo juntos o prazer...
e o gozo desta nova união.



Taubaté-SP

terça-feira, 25 de outubro de 2011

NAS ÁGUAS DE AMARALINA

NAS ÁGUAS DE AMARALINA
Aparecido Donizetti Hernandez


Como o mundo me encanta
Quando ando pelas planícies,
Quando posso andar próximo
Às cachoeiras...

Poucas vezes tenho tempo,
Poucas vezes tenho a permissão,
Como amo a Terra!

À poucos dias caminhando,
Em lugar de linda mata,
Protegida por Xangô,
De rios com a mata ao seu redor.


Lá estavam três lindos anjos a brincar
Com a doce bruma das águas,
Nas águas de Amaralina,
Junto de Inhaçã,
Bem perto de Iemanjá!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ENAPRIMAVERA


EnaPrimavera
Socorro Lima Dantas



É na primavera,
que as flores despontam em vivas cores,
voltando a encantar a vida.

É na primavera,
que o sol brilha com mais intensidade,
num leve e encantador florescer.

É na primavera,
que as flores se tornam mais belas,
no ritmo do vôo dos pássaros.

É na primavera,
que o vento bate com leveza em meu jardim,
espalhando em meu rosto, pétalas de rosas.

É na primavera,
que as flores exalam o perfume mais suave,
em uma apaixonante mistura de aromas.

É na primavera,
que as rosas brotam em meus versos,
os mágicos sentimentos de amor.





















quarta-feira, 21 de setembro de 2011

OS GIRASSÓIS DE VAN GOGH

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez
Os girassóis de Van Gogh
Eliane Triska

Colhi meus girassóis...Se olhavam tristes.
E os coloquei no vaso dos guardados
Onde, só, a beleza nunca existe,
Pra sempre poder vê-los abraçados.
Pintei-os, um a um... Eu quis assim.
E dei-lhes por moldura a poesia,
Do pólen espargido de um jasmim.
E o pincel quis dar forma ao que sentia.
Ó natureza morta sem anseios.
A dor seca a vida dos teus veios
Não chorem girassóis ao meu olhar!

- Alegrem-se! Feliz os mostro ao mundo
E no vaso me assino: um moribundo
Que enfim os pode imortalizar!



***Canoas - RS
 
 
 
 
Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez
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Idéia Original: Lilian Regina de Andrade
Formatação : Aparecido Donizetti Hernandez

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

VIAJANTE


VIAJANTE
Aparecido Donizetti Hernandez
Ipanema - 08/09/2011
03h00



"Casa de Praia de Ipanema" - "Torre de Babel" de jovens viajantes,
Encontro dos encontros de múltiplas culturas
À procura de nossa cultura
Que nem sempre soam nas estações das Rádios
- Músicas que não são nossas -
Levam-lhes a conhecer não as belezas do Rio,
Mas as mazelas do nosso povo.

"Casa de Praia de Ipanema", ponto de encontro dos desencontros,
Desencontros da nossa cultura, que não valorizamos,
Bucólico abrigo dos viajantes do mundo,
Onde me encontro na solidão de seus beijos,
De seus toques, de seu sorriso...

Só em meus pensamentos na viagem de saudades,
Fito o céu... vejo as orquídeas nas ruas e lembro-me de ti,
Nos versos que escrevo te descrevo,
E agora sentado à beira da praia de Ipanema,
Somente teus olhos vejo no infinito do céu estrelado.



domingo, 11 de setembro de 2011

POETAS DEL MUNDO - RIO DE JANEIRO

Hoje, 10 de setembro de 2011, na linda cidade de Maricá, região dos lagos do Estado do Rio de Janeiro, foi inaugurado no Centro de Produção Cultural, o “Espaço Mestre Raladinho, situado no centro da cidade, na rua Domício da Gama, 107 - A, que também abrigará a sede Estadual da Associação Internacional Poetas del Mundo, com a prestigiosa presença da Presidente Mundial poetisa Deslanive Daspet juntamente com poetas de vários Estados, onde honrosamente fomos recepcionados pela poetisa Zélia Balbina, Cônsul no Estado do Rio, que na oportunidade fez o lançamento de seu livro “Amor em Pecado”. Parabéns à aguerrida poetisa e Cônsul de Poetas del Mundo do Estado do Rio de Janeiro, Zélia Balbina, e à Maricá, por ter tão ilustre moradora.


 Aparecido Donizetti Hernandez
 Cônsul Poetas Del Mundo – Itapevi/SP