quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ENTRELINHAS

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


ENTRELINHAS
Lígia Antunes Leivas




Na insensatez dos conceitos
emergem desejos...
Quebra-se o elo:
desequilibra-se o universo.

A expectativa antessonha auroras
neste querer maior
de peles de veludo unidas
no desenho de nós mesmos.

Na hora cálida da tarde
atiçam-se todas as luzes...
Um pouco de mim, de ti, de nós
e a explosão de todos os sentidos.

Cada espaço traz a medida certa
... um oceano cresce entre nossas vidas
e nesta separação entre desenganos
descubro-me atônita!

Olhos ao longe (tão longínqua distância!...)
Sou voz perdida, sou desterro
sou muito menos agora
que as entrelinhas desde poema...


Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


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Lilian Regina de Andrade

BEIJO-TE

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez


BEIJO-TE
Efigênia Coutinho



Ó tu que meus beijos queres, indaga
ao beija-flor, não poupa este desejo
pergunta se ele beija só flores rosa,
ele dirá que beija a mulher mais formosa!

O poeta que me beija, não por razão pouca
beija o néctar da rosa por ser sua sina,
Pois dar-te-ei o amor de que desejas
duma rosa, alma gêmea, rainha e sina!

Entoemos este vigor do Amar
sentindo gula e gana de sonhar
sem temor, saboreando a idéia...

Poeta sabe e sente o Amor
em sua mente e dentro do coração
jogo ardente espargido outra cor!


Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


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Lilian Regina de Andrade

AZUL NA POESIA

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.


Aparecido Donizetti Hernandez


AZUL NA POESIA
Úrsula Avner




Em versos mudos
destravei algemas
Silêncio preso
virou colibri
Cauda longa de espátulas azuis
trêmula ao vento da imaginação



Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


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Lilian Regina de Andrade

A DANÇA DAS FLORES

A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.


Aparecido Donizetti Hernandez



A DANÇA DAS FLORES
Gilberto Brandão Marcon


Flor do jardim,
flor que deveria
ser da primavera,
mas que preferiu
enganar as estações.
Leve flor carregada
pelo vento.
E nele desliza
como que em
delicada dança,
Flor que teve por par a brisa.
Brisa que acalmou o vento,
do som que se escondia no silêncio,
dos segredos que, embora ditos,
somente foram ouvidos
pelos que tinham ouvidos de ouvir,
pois que escutavam
com a alma,
pois que conheciam
os caminhos do coração.
Flor que é
delicadeza no botão,
e esplendor
no seu momento mágico.
Flor que decora
o circo da vida,
onde os pecados
convivem com as virtudes,
onde o perdão os liberta,
e os transforma
em sementes renovadas



Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


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Lilian Regina de Andrade

TRIBUTO A UM POETA




TRIBUTO A UM POETA
Aparecido Donizetti Hernandez



04/agosto/2010 - 17h03













Sob a sombra da velha paineira
Repousa o antigo arado,
Arado que rasgou as terras de massapé,
Onde vi plantar as sementes das esperanças
De ver nossos campos verdes brotando...

Velha paineira que nos abrigava sob seus galhos,
Onde João de Barro construía seu ninho de amor,
Lá nos encontravámos todas as tardes de outono,
Onde víamos o entardecer, pensando que nunca haveria dor...

Velha paineira que hoje como nós
Entristece ao contemplar as queimadas
Que ofuscam o pôr-do-sol
Do nosso lindo interior,
Levando embora seu esplendor.
Velha paineira que o poeta
José Fortuna eternizou com suas palavras de amor
.


ORVALHO

ORVALHO
Aparecido Donizetti Hernandez
04/Agosto/2010 - 15h49


Nessa noite fria que te espero
Vem a esperança de te ver como antes,
Como antes de perderes a ingenuidade...
Nessa noite fria cai o orvalho
Esbranquiçando os campos,
Campos que quando raiar o Sol
Refletirá a luz em suas gotículas,
E verei em cada uma seu rosto a refletir a saudade,
A saudade dos tempos que corríamos
À procura de uma vida sem dissabores...
Onde reencontrarei aquela antiga ingenuidade que tínhamos,
Como se os campos eram o nosso mundo,
Mundo que deixamos o Sol queimar, como queima as folhas
Molhadas do orvalho que o sereno deixou...

SOLIDÃO DE POETA

Solidão de Poeta

Schyrlei Pinheiro


Vagarosamente anoitece.
A cortina da madrugada desce,
o céu apaga as estrelas,
a lua silenciosa sai de cena.
Atrás da porta fechada
mora a solidão, calada,
que vive armada
com uma caneta na mão.
O poeta, ainda acordado,
com os olhos marejados,
deixa a solidão falar,
e, ao escorrer pela face uma tristeza,
a sós, com seus pensamentos,
faz versos nas sombras,
que desabrocham
como flores orvalhadas
ao som do passado,
que aprendeu a cantar,
conquistando a liberdade
de partir, e voltar colorido,
eternamente sonhando...
com seu ninho de amor
Reg 131320081

ABISMAL


A arte literária é consequência da própria vida, viver é a arte do inexplicável, das dúvidas e da esperança.

Aparecido Donizetti Hernandez




ABISMAL
Helena Kolody



Meus olhos estão olhando
De muito longe, de muito longe,
Das infinitas distâncias
Dos abismos interiores.
Meus olhos estão a olhar do extremo longínquo`
Para você que está diante de mim.
Se eu estendesse a mão, tocaria a sua face.



Marcas Poéticas - direito autoral de Aparecido Donizetti Hernandez


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Lilian Regina de Andrade

OUTONOS E SAUDADES

Outonos e saudades




Canto o amor entre folhas
escombros e estrelas.

Os olhos molhados
recordam momentos
sagrados e íntimos.

Entre ausências,
recorto segredos.

Versos medrosos
despertam as horas
na falta de ti.

Raimundo Lonato

PEDIDO

PEDIDO
Clau Assi





Gênio, que surge,
Leva pra longe
O branco que invade
O peito do poeta.

Gênio aclamado,
Guia suas mãos
Risque, rabisque
O verso sonhado.

Gênio fiel,
Inspira o canto
Do pobre poeta
Sem rima, nem verso.